A proposta apresentada pela Transpetro para o acordo coletivo de trabalho (ACT) 2025/2027 foi rejeitada pela esmagadora maioria dos marítimos em consulta conduzida pelas entidades sindicais. Dos 531 votos válidos, foram registrados 522 votos contrários (98%) e apenas 9 favoráveis (2%), resultado que demonstra, de forma inequívoca, o profundo descontentamento da categoria com os termos oferecidos pela companhia.
A proposta econômica situa-se muito abaixo dos padrões praticados no setor. Atualmente, a Transpetro já oferece remunerações que figuram entre as mais baixas do mercado; os termos apresentados não apenas impedem a equiparação com o segmento privado, como tendem a ampliar o abismo salarial existente.
Outro ponto crítico é a intenção de elevar o tempo de embarque no longo curso de 90 para 110 dias. A medida ignora as tendências globais de mercado e negligencia o debate sobre a saúde física e mental dos trabalhadores. Na cabotagem, enquanto a Transpetro mantém o regime de 60 dias, diversas empresas já operam com períodos reduzidos de até 45 dias.
As entidades sindicais reiteram que pilares fundamentais — como saúde, bem-estar, convivência familiar e condições dignas de trabalho — não foram contemplados satisfatoriamente. O resultado configura uma rejeição histórica e sem precedentes recentes, tanto na empresa quanto no setor marítimo nacional.
A Conttmaf e os sindicatos filiados permanecem abertos ao diálogo e à continuidade das negociações, na expectativa de que a Transpetro apresente avanços condizentes com a realidade do mercado e com as necessidades essenciais de seus trabalhadores marítimos.

